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Leandra fez o sinal e Tarso tocou a ultima vinheta do programa, era hora de terminar, ela olhou pela janela do estúdio da radio e viu que ainda caia um temporal acompanhado de raios e relâmpagos. A nova sala da radio ficava em um alto prédio comercial e as janelas de vidro proporcionavam uma visão do espetáculo negro.

- Medo da chuva Leandra? – perguntou Tarso com um sorriso maroto no rosto.

Leandra sorriu para o negro alto, e fez cara de desprezo pela afirmação dele.

- Claro que não seu besta, apenas estou preocupada em como vou para casa.

- Eu podia te dar uma carona, mas sabe que preciso terminar a programação da madrugada e ainda tenho muita coisa para arrumar, odeio mudança.

- Vou pegar um taxi, não esquenta, até amanha Tarso – despediu-se Leandra, dando um beijo no rosto redondo de Tarso.

Saiu do estúdio, passou pela recepção, saiu pela antessala e caminhou até o final do longo corredor cheio de portas trancadas, virou a direita onde mais um corredor a levaria até os elevadores, foi quando viu suas portas prateadas, que um grande raio fez as janelas vibrarem como se fossem quebrar, instantaneamente tudo ficou escuro.

- Era só o que faltava – disse ela enquanto parada, para não bater em nada, procurava o celular para que a fraca luz do aparelho ajudasse a enxergar onde estava.

O aparelho emitia uma luz amarelada que mal permitia iluminar o chão, piscou, emitiu um som de alerta que indicava a bateria descarregada e desligou-se.

Ela ficou totalmente no breu, não podia ver a própria mão na frente do rosto, procurou pelas paredes e sentiu o desconforto de não saber a distancia dos objetos, gritou por Tarso torcendo para que o ambiente fechado do estúdio não fosse o suficiente para impedir a sua voz de chegar até o colega de trabalho. Não obteve resposta. Gritou outra vez. Nada.

Finalmente encontrou a parede e começou a caminhar enquanto tentava relembrar a localização dos vasos de planta espalhados pelo corredor, quando uma mão tocou a sua, teve que segurar o grito de susto que quase saiu de sua boca como uma lebre em fuga.

- Minha nossa Tarso, quer me matar do coração?!

Não ouviu resposta, a mão era macia, quente, grande, só podia ser Tarso, não havia mais ninguém no prédio. A mão que segurava a sua começou a subir pelo braço vagarosamente, sentindo os pelos, ainda eriçados do susto, na pele nua, chegou aos ombros ao mesmo tempo em que outra mão tocou-lhe o outro braço.

- Tarso o que você está fazendo?

Sentiu uma respiração quente e suave perto do seu rosto, arrepiou de novo quando suas costas encostaram-se à parede, mesmo com os olhos abertos era como se estivessem fechados e não podia ver nem mesmo um vislumbre da pessoa que se aproximou e tocou seu pescoço com o nariz, depois com os lábios, beijando-a e subindo até a sua orelha.

Ela se sentiu arrepiar, e por um momento fechou os olhos e ficou na ponta dos pés sentindo o arrepio percorrer o corpo quando forçou a si mesma a voltar a realidade.

Tentou afastar o homem e sentiu o quanto ele era forte, ouviu um “shiii” em seu ouvido e o empurrou de novo sem sucesso, pensou em gritar, não acreditava que Tarso faria qualquer mal a ela, mas e se não fosse Tarso? O medo preencheu sua mente, e este lutava com outro sentimento; de alguma maneira doentia ela estava gostando.

Sentiu o rosto do homem procurando o seu, lábios molhados e carnudos, ela abriu a boca savemente, sentiu o perfume doce e levemente amadeirado que emanava daquele corpo duro, fresco como quem acabou de sair do banho, seus lábios se tocaram suavemente e ela pensou que aquilo podia até mesmo ser romântico, se não fosse completamente insano.

O homem aos poucos soltou as mãos de Leandra e a segurou pela cintura, ela sentia as mãos grandes sobre o tecido de seu vestido colado ao corpo, seus lábios estavam tão perto que se tocavam às vezes, fazendo-a estremecer, com as mãos livres pensou em lutar, então levou as mãos até as costas do desconhecido e cravou-lhe as unhas, puxando por cima do tecido, pensou por que não tinha feito qualquer outra coisa mais eficiente para se livrar dele.

Sentiu-o urrar com a agressão, se contorcer, mas parecia ser mais de prazer que dor, ela sentiu sua barba por fazer no pescoço quando o homem levantou a cabeça, em um momento de lucidez ela o empurrou, sentindo um tórax forte e definido em baixo de uma camisa de botões, ele se afastou, era o momento de correr, mas não foi isso que fez, puxou a camisa dele ouvindo o tecido rasgar e o barulho de um pequeno objeto caindo no chão denunciando que um botão escapou da roupa do homem misterioso.

Tentou bater no rosto dele, mas se viu tocando-o, sentia-se insana naquele momento, como em um sonho, até mesmo os relâmpagos que poderiam dar alguma iluminação àquele cenário haviam parado, mas ela podia ouvir a chuva caindo, estremeceu de susto quando sentiu a mão dele tocando o seu rosto de maneira semelhante ao que ela fazia, a mão dele escorregou pelo pescoço, tocou-lhe o colo, e chegou ao seio escondido no decote do vestido tomara-que-caia.

Um novo momento de lucidez veio à tona e ela novamente tentou afastá-lo, ele foi rápido e a dominou contra a parede, um novo “shiii” pronunciado baixinho, ela pensou em negociar, falar com ele, mas ao invés de pedir por sua segurança ou oferecer sua bolsa, que ela nem sabia onde estava, pronunciou baixinho, de forma contraditória com o que falava.

- Eu vou gritar, se eu gritar alguém pode apare… – não terminou a frase por que não conseguia acreditar no que falava, sentiu a perna estremecer.

Sentiu a mão firme dele tapando a sua boca, a sensação de dominação fez seu corpo arrepiar e sentiu um inaceitável prazer naquilo.

Ele a virou contra a parede, manteve a mão sobre sua boca, segurando firmemente, de repente sentiu a outra mão tocando sua coxa e subindo seu vestido, já podia sentir também um volume roliço nas calças do homem, apertando-lhe a nádega, novamente se sentiu em um sonho insano e inacreditável quando se inclinou arrebitando bem a bunda para sentir melhor todo aquele membro.

Sentiu dedos grossos puxando sua calcinha para baixo e tocando-lhe onde uma umidade abundante denunciava o desejo que ela estava sentindo, ouviu um zíper se abrindo enquanto o grande corpo dele se apoiava, fazendo-a sentir a textura rústica da parede contra sua pele. Esticou a mão buscando o objeto de sua curiosidade e desejo dentro das calças dele, era uma nova experiência não poder ver um cacete e apenas toca-lo, sentiu que era longo e grosso, que possuía uma glande volumosa e quente, desceu novamente e encontrou bolas duras e ouriçadas.

Quando deu por si estava lambendo com uma língua reprimida a mão do agressor, que aliviou os dedos e a boca da moça, antes contida, começou a chupar os dedos deixando óbvio o que ela desejava fazer, ele a virou novamente para que ficassem frente a frente, mesmo que ela apenas soubesse disso pela posição da parede, e apesar de sentir o halito mentolado perto dela, não podia ver nem mesmo sombra de seu rosto.

O estranho empurrou o corpo dela para baixo, ela resistiu,

- Não! – disse ela, mas não foi um não firme, soou sussurrado, lento, pronunciado devagar.

Ele empurrou novamente.

- Não – ela repetiu – nem mesmo se você… – e fez uma pausa antes de continuar e pronunciar as últimas palavras da frase devagar – me obrigar.

Ele entendeu o recado e a empurrou com mais força, ela então cedeu, no escuro teve que tatear as pernas dele e sentiu suas coxas grossas e fortes, preferiu não usar as mãos e com a língua exposta na boca aberta começou a procurar seu objetivo, finalmente encontrando-o duro e apontando para cima, lambeu devagar, subindo por intermináveis segundos, quando o colocou na boca, sentiu a mão firme segurando sua cabeça e forçando-a coloca-lo todo para dentro.

Sentiu o pau quente e grande atropelar sua língua e chegar quase a sua garganta, tomou fôlego, mas era difícil respirar, a mão segurava firme e ela sentiu a saliva escorrer para as bolas daquela pica enorme. Mas o que realmente a deixou assustada era que estava adorando tudo aquilo.

Começou a chupar e ele repetia o movimento, ela começou a se tocar com a mão livre e foi surpreendida quando o pau deixou sua boca, o homem se afastou e a moça se desequilibrou para frente, tentou ver, mas ainda era como se estivesse de olhos fechados.

Então sentiu o tapa, certeiro em sua bochecha, firme, mas bem menos forte do que poderia ter sido, sentiu o corpo tombar para o lado, tateou a procura da parede, que era seu único ponto de orientação e não a encontrou. Escutou o barulho de tecido rasgando, pensou em correr, mas não queria. Agora ela iria até o fim.

Sentiu em suas coxas os joelhos do agressor tocando o chão, ela se deitou e mais uma vez arrebitou a bunda no maior ângulo que podia, sentiu a cabeça rígida e lisa procurando onde penetrar e se debateu, facilitando aquele pau a escorregar por suas nádegas, foi então que uma mão firme puxou seus cabelos escuros para trás, fazendo sua cabeça levantar, nesse momento ela sentiu que pingava de tesão.

Finalmente ele encontrou onde por o seu caralho e o fez todo de uma vez, ela sentiu como se todo o ar, que antes preenchia seus pulmões, tivesse desaparecido, deixando apenas vácuo no lugar, sentiu o contraste entre o chão gelado e a corpo duro e quente que a preenchia, sentiu mãos abrirem o zíper do vestido e puxarem seu corpo para frente, agora estava de quatro, puxada pelos cabelos, sentindo as estocadas ritmadas, percebeu o orgasmo chegando e ficou ofegante, foi quando ele desferiu um tapa em sua nádega que estralou e ecoou por todo o andar, ela não segurou e gritou de prazer sentindo que escorria pelas coxas.

Percebendo, o homem misterioso aumentou o ritmo, ela sentiu os joelhos doerem, seu cabelo esticado como o arreio de um animal forçava sua cabeça para cima, ela sentia o esforço dele e ouvia a respiração aumentando de ritmo, começou a rebolar quando sentiu o suor escorrendo pelo corpo, seus seios balançavam livres no ar e isso a deixava muito excitada sentiu que ele estava quase lá, outro tapa a fez se desconcentrar do movimento, teria caído se não fosse o cabelo que ele ainda segurava.

Ele aumentou ainda mais o ritmo das estocadas, algo que ela não achava possível, a sensação de ver escuridão para todos os lados fazia parecer que estava sonhando, sentiu um novo orgasmo chegando quando ele soltou seu cabelo e a segurou pela cintura, pegando no tecido do vestido, gozou dessa vez junto com ele, gritando alto de prazer, deixou o corpo cair no chão duro e agora molhado do fruto do prazer deles.

Deliciou-se com o peso do homem ofegante e molhado de suor em cima dela, sentiu a respiração dele em seu ouvido ir diminuindo, então ele se apoiou no chão, ela pensou que ele se levantaria, mas para sua surpresa, e quase agonia, ele reiniciou, começou a meter novamente, tão intensamente quanto antes, ela tentou falar alguma coisa, mas a cada estocada sentia espasmos de prazer, deitada no chão se sentia dominada, indefessa e estava adorando aquela sensação, sentia outro orgasmo vindo, mas não tinha mais força para suportar, podia perceber as batidas do seu coração na garganta e ele continuava a meter impiedosamente, ela tentou gritar, mas a voz não saiu, desmaiou.

Tudo estava escuro e sentia-se flutuar, não sabia quanto tempo havia passado, viu uma luz distante, ouviu chamar seu nome, a luz aumentou, viu a chuva caindo na janela, olhou para Tarso que estava com a cara mais assustada do mundo, chamando por ela com uma lanterna na mão iluminando o corredor.

- Tarso?

- O que aconteceu Leandra? Você caiu? – perguntou ele enquanto ajudava a se levantar.

Leandra tentou organizar os pensamentos, viu sua bolsa espalhada, tocou seu corpo e não sentiu nada diferente, seu vestido estava no lugar, tentou ficar em pé e se desequilibrou, o seu salto do sapato esquerdo estava quebrado.

- Eu ouvi você gritar logo depois que a luz apagou! – disse Tarso.

Ela tentou recompor os pensamentos.

- Você não estava…? – perguntou olhando em volta como quem acorda de um sonho.

- Estava o que? – perguntou ele.

- Nada, esquece, acho que cai e desmaiei – disse tirando os sapatos.

- Venha, vamos voltar para radio, você toma um copo de água e depois vou te levar até em casa.

Leandra se sentou no sofá na recepção, pegou o celular na bolsa e percebeu que ele estava com a bateria cheia, mais um indício de que estava sonhando, estava com a mesma roupa e toda no lugar, nem seu cabelo estava desarrumado. Não havia duvida, o salto se quebrou na hora do blackout e teria ocasionado um tombo.

Olhou para Tarso que trazia um copo de água.

- Obrigado Tarso, você é um anjo.

- Se sente melhor?

- Sim, você pode me dar aquela carona?

- Claro, vou apenas pegar minha jaqueta.

Tarso voltou, vestindo a jaqueta, pegou as chaves, parou na frente de Leandra com um sorriso.

- Vamos?

Leandra olhou para ele com um sorriso, notou algo estranho e perguntou.

- Tarso, onde foi parar o botão da sua camisa?

16 Comentários

  1. No finalzinho é claro que ela ouviu a musiquinha de Twilight zone tocando ao fundo, não?! ;)

    Bravo!

  2. Pra variar, mto bom…
    Sempre mandando bem…
    Parabens…

  3. muito criativo.

  4. Mais um feito de Cadu. Perfeito!

  5. Acho que poderia aparecer um Tarso em minha vida.pelo menos uma vez.
    Não iria faser mal algun né, pelo contrario.
    Adorei sua historia, serve para dar uma sonhadinha.

  6. Eu sou suspeito pra falar alguma coisa dos textos do meu irmão, mas todo mundo ve q o cara manda mto bem neh?
    E eu leio td antes de todo mundo pra fazer a revisão ainda por cima =D
    Parabens Carlos, mto bom cara (Y)

  7. Leandra e Tarso são personagens de alguma novela? hahaha! Adorei este texto, gosto de termos técnicos misturados com termos “vulgares” quando bem escrito. A história tem um começo, um meio e o fim fica a imaginação do leitor, o que é melhor ainda! Parabéns Cadu!

  8. Nossa, sempre de tirar o fôlego!
    Às vezes eu parava a leitura pra respirar bem fundo, fantástico!
    Palavras, imaginação… nota dez pra você!

  9. [2] Acho que poderia aparecer um Tarso em minha vida.pelo menos uma vez.
    Não iria faser mal algun né, pelo contrario.

    Tudo q toda mulher precisa, Emoçao, novidade!

    Parabens Cadu, perfect.

  10. Adorei!! Não tem como não imaginar muitas coisas…. :P

  11. Porra, e eu fiquei esperando tanto que fosse o zelador do prédio…

    Então é isso que é leitura erótica? Cadu, parabéns! Descreve os climas e ápices como uma mulher. Sinto-me mal. Escrevo pornografia. =)

  12. Assim… é esse tipo de homem que está faltando hoje em dia. Que sabe o que fazer. Ódio de homem que não se sente confortável na sua própria pele. Cadu… aff fiquei sem fôlego. Aposto que mesmo as que não comentaram ficaram com vontade kkkkkk
    Beijo

  13. Perfeito!

  14. Adoro seus contos! Beijos!!!


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